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segunda-feira, 25 de abril de 2011

O que é o autismo?

Para o diagnóstico de uma criança com transtornos do espectro do autismo, os especialistas usam os critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Os critérios se relacionam com déficits sociais, na comunicação e comportamentos incomuns e repetitivos. O diagnóstico não é fácil, principalmente na primeira infância. Muitos são confundidos com hiperatividade, esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção. Os sintomas aparecem sempre antes dos três anos de idade e podem se prolongar até a velhice. De acordo com pesquisas mais antigas, o autismo é uma condição que acompanhará o indivíduo para o resto de sua vida. Atualmente, sabe-se que em alguns casos a cura para o autismo pode acontecer. Mesmo que a cura não aconteça, em todos os casos é possível haver uma grande melhora, desde que haja tratamentos adequados. 
Quando o diagnóstico de transtorno do espectro do autismo é estabelecido, ainda é necessário avaliar em que parte do espectro está o transtorno (leve, moderado, severo ou profundo). Este diagnóstico geralmente é feito por mais de um especialista, e a avaliação é lenta, o que causa muita angústia e sofrimento nos pais, pois eles vêem e percebem que o comportamento do filho é incomum, porém não conseguem obter as respostas tão rapidamente quando querem.
Sabe-se que muitos diagnósticos só são dados na adolescência. Quanto mais cedo o diagnóstico for estabelecido, melhor será para a criança, pois mais cedo poderá ser iniciada a intervenção.
Atualmente, a maioria dos pesquisadores considera a origem dos transtornos do espectro do autismo como sendo genética. Mais recentemente, tem-se atribuído também a causa do autismo a fatores externos. Sabe-se que há 10 anos havia de 2 a 5 pessoas com autismo para cada 10.000 pessoas. Segundo a CDC (Center for Disease Control), atualmente existe 1 pessoa com autismo a cada 100 pessoas.
         Este aumento muito significativo pode ser atribuído, em parte, ao diagnóstico feito mais cedo e com mais rigor. Mas também pode ser atribuído a uma predisposição genética ao autismo. O autismo seria desencadeado, nestes indivíduos predispostos, por fatores externos como a alimentação. Essa conclusão vem do fato de que com uma mudança na alimentação, muitas pessoas com autismo têm melhoras significativas e até mesmo a cura em alguns casos.
As características essenciais do Transtorno Autista são a presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.  O autismo não é uma condição de "tudo ou nada"; ao contrário, é visto como um continuum – um espectro que vai do grau leve ao severo. (DSM-IV – TR, 2000)
O prejuízo na interação social recíproca é amplo e persistente. Pode haver um prejuízo marcante no uso de múltiplos comportamentos não-verbais (por exemplo, contato visual direto, expressão facial, posturas e gestos corporais) que regulam a interação social e a comunicação. (WILLIAMS e WRIGHT, 2008)
Pode haver um fracasso em desenvolver relacionamentos com seus pares que sejam apropriados ao nível de desenvolvimento, os quais assumem diferentes formas, em diferentes idades. Os indivíduos mais jovens podem demonstrar pouco ou nenhum interesse pelo estabelecimento de amizades; os mais velhos podem ter interesse por amizades, mas não compreendem as convenções da interação social. Pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo prazer compartilhado, interesses ou realizações com outras pessoas (por exemplo, não mostrar, trazer ou apontar para objetos que consideram interessantes).
Uma falta de reciprocidade social ou emocional pode estar presente (por exemplo, não participa ativamente de jogos ou brincadeiras sociais simples, preferindo atividades solitárias, ou envolve os outros em atividades apenas como instrumentos ou auxílios "mecânicos"). Os indivíduos com este transtorno podem ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos); podem não ter idéia das necessidades dos outros, ou não perceber o sofrimento de outra pessoa. (DSM-IV – TR, 2000)
Além disso, podem estar ausentes os jogos variados e espontâneos de faz-de-conta (imaginação) ou de imitação social apropriados ao nível de desenvolvimento.
O prejuízo na comunicação também é marcante e persistente, afetando as habilidades tanto verbais quanto não-verbais. Pode haver atraso ou falta total de desenvolvimento da linguagem falada. Em indivíduos que chegam a falar, pode existir um acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem (a pessoa repete, algumas vezes ou incessantemente, o que escutou dos pais, da televisão, do rádio: ecolalia) ou uma linguagem peculiar – o  timbre, a entonação, a velocidade, o ritmo ou a ênfase podem ser anormais (por exemplo, o tom de voz pode ser monótono ou elevar-se de modo interrogativo ao final de frases afirmativas).
As estruturas gramaticais são freqüentemente imaturas e incluem o uso estereotipado e repetitivo da linguagem (por ex., repetição de palavras ou frases, independentemente do significado; repetição de comerciais ou jingles) ou uma linguagem metafórica (isto é, uma linguagem que apenas pode ser entendida claramente pelas pessoas familiarizadas com o estilo de comunicação do indivíduo).
Uma perturbação na compreensão da linguagem pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples. As brincadeiras imaginativas em geral estão ausentes ou apresentam prejuízo acentuado. Esses indivíduos também tendem a não se envolver nos jogos de imitação ou rotinas simples da infância, ou fazem-no fora de contexto ou de um modo mecânico.
Os indivíduos com Transtorno Autista têm padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades. Pode existir uma preocupação total com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse, anormais em intensidade ou foco; uma adesão aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos e não funcionais; maneirismos motores estereotipados e repetitivos; ou uma preocupação persistente com partes de objetos. Apresentam uma faixa acentuadamente restrita de interesses e com freqüência se preocupam com um interesse limitado (por exemplo, com acumular fatos sobre meteorologia ou estatísticas esportivas). (DSM-IV – TR, 2000)
Eles podem enfileirar um número exato de brinquedos da mesma maneira repetidas vezes ou imitar incontáveis vezes as ações de um ator de televisão. Podem insistir na mesmice e manifestar resistência ou sofrimento frente a mudanças triviais (por exemplo, uma criança mais jovem pode ter uma reação catastrófica a uma pequena alteração no ambiente, tal como a colocação de cortinas novas ou uma mudança no local da mesa de jantar).
Existe, com freqüência, um interesse por rotinas ou rituais não-funcionais ou uma insistência irracional em seguir rotinas (por exemplo, percorrer exatamente o mesmo caminho para a escola, todos os dias). Os movimentos corporais estereotipados envolvem as mãos (bater palmas, estalar os dedos) ou todo o corpo (balançar-se, inclinar-se abruptamente ou oscilar o corpo). Anormalidades da postura (por ex., caminhar na ponta dos pés, movimentos estranhos das mãos e posturas corporais) podem estar presentes. (WILLIAMS e WRIGHT, 2008)
Esses indivíduos apresentam uma preocupação persistente com partes de objetos (botões, partes do corpo). Também pode haver uma fascinação com o movimento em geral (por exemplo, as rodinhas dos brinquedos em movimento, o abrir e fechar de portas, ventiladores ou outros objetos com movimento giratório rápido). O indivíduo pode apegar-se intensamente a algum objeto inanimado (por exemplo, um pedaço de barbante ou uma faixa elástica).
De acordo com o DSM-IV-TR, a perturbação deve ser manifestada por atrasos ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes áreas antes dos 3 anos de idade: interação social, linguagem usada para a comunicação social, ou jogos simbólicos ou imaginativos.
Em uns poucos casos, os pais relatam uma regressão no desenvolvimento da linguagem, geralmente manifestada pela cessação da fala após a criança ter adquirido de 5 a 10 palavras. Por definição, se houver um período de desenvolvimento normal, ele não pode estender-se além dos 3 anos de idade.
Os indivíduos com autismo podem apresentar uma gama de sintomas comportamentais, incluindo hiperatividade, desatenção, impulsividade, agressividade, comportamentos auto-agressivos e acessos de raiva.
Respostas incomuns a estímulos sensoriais (por exemplo, alto limiar para a dor, hipersensibilidade aos sons ou a ser tocado, reações exageradas à luz ou a odores, fascinação com certos estímulos) podem ser observadas. Pode haver peculiaridades na alimentação (por exemplo, limitação a poucos alimentos na dieta) ou no sono (por exemplo, despertares noturnos com balanço do corpo).
Peculiaridades do humor ou afeto (por exemplo, risadinhas ou choro sem qualquer razão visível, uma aparente ausência de reação emocional) podem estar presentes. Pode haver ausência de medo em resposta a perigos reais e temor excessivo em resposta a objetos inofensivos. Uma variedade de comportamentos auto-lesivos pode estar presente (por exemplo, bater a cabeça ou morder os dedos, mãos ou pulsos).
Na adolescência e início da idade adulta, os indivíduos com autismo que têm capacidade intelectual para o insight podem tornar-se deprimidos em resposta à percepção de sua condição.
O autismo acontece com 4 vezes mais freqüência em indivíduos do sexo masculino do que no feminino.

Referências:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION: Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 4 ed., Text Revision, Washington: American Psychiatric Association, 2000.

WILLIAMS, CHRIS; WRIGHT, BARRY. Convivendo com autismo e síndrome de Asperger. M. Books, 2008.

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